Água – Bem Universal



Capitular As Nações Unidas (ONU) declaram 2013 como o Ano Internacional para a Cooperação da Água.

A água no séc. XXI vai ser um fenómeno de conflitos económicos e políticos; agora mesmo a água está a ser usada como controlo das economias de muitos países, e em muitos conflitos armados, as grandes multinacionais como a Nestlé, Suez (Veolia),Thames Water (Kemble Water), Coca Cola Corp. entre outras estão de olhos postos na aquisição dos serviços públicos da água, na distribuição e nos sistemas de tratamento, pois sabemos que o interesse do lucro passa pela escassez do bem.

Importa a alertar nas consequências de um mau uso da água de forma descontrolada, muitos países no futuro vão sofrer uma grave escassez de água potável, erros deliberados na poluição de rios e aquíferos subterrâneos em nome do crescimento rápido da economia (ex. China), levarão, no futuro, a custos económicos e de vidas que, em poucos anos ,poderá ter resultados na degradação da economia e da qualidade de vida das populações.

Hoje na Europa, um plano de despoluição na recuperação das bacias hidrográficas, resultante da industrialização e do impacto da pressão urbana serão necessários milhões de euros que possivelmente nos próximos 20-30 anos dificilmente estarão resolvidos. Exemplo é a despoluição e recuperação paisagística do Rio Reno que atravessa 6 países: Suíça. Áustria, Liechtenstein, Alemanha, França, e Holanda com uma extensão de 1233 km.

Portugal enfrentará, no futuro, devido ás alterações climáticas uma diminuição hídrica anual, só neste início de século já sofreu 2 secas severas 2003-2005 e de 2011-2012, em média Portugal produz cerca de 73 km3 de água/ano, enquanto cada habitante consome 2900 lts/dia, logo aqui observamos que existe uma má gestão da água por parte de todos nós. 

Comparamos os dois gigantes na produção de água Estados Unidos e Brasil, aqui podemos observar discrepâncias abismais nos consumos e no uso da água, assim

os EUA produzem cerca de 3000 km3 de água com um consumo por habitante de 4400 lts/dia; já o Brasil, com 12% da reserva de água mundial, produz anualmente cerca de 8000 km3 com um consumo por habitante de 820 lts/dia

, assim o Brasil torna-se o maior produtor de água do Mundo, que só necessita de manter os atuais padrões de consumo e tornar mais eficiente o acesso ás populações mais desfavorecidas e construir uma rede de distribuição de água de qualidade, ainda como incrementar medidas de eficiência do uso da água na agricultura e na indústria, o que representa um investimento muito baixo no Orçamento Federal do Brasil e, com uma economia num crescimento constante na ordem dos 4% a 6%, facilmente o Brasil se tornará o maior player no futuro da economia com uma total independência face aos seus concorrentes diretos como os EUA, China ou Índia que têm problemas graves na eficiência no uso da água, dado que o Brasil dispõe de uma enorme capacidade de recursos hídricos.

Vinculando o tema da água para o Paisagismo e em particular para o Paisagismo Ecológico em que as medidas de eficiência da água do uso da água nos espaços verdes estão perfeitamente descritas nos

Princípios do Paisagismo Ecológico entre elas 50% da área verde com plantas autóctones ou nativas, pois estas plantas estão perfeitamente adaptadas ás condições hídricas do ecossistema local; destinar 15% da área verde para relvados, pois a relva representa 40% - 70% do consumo total da água de um espaço verde

, dependendo das espécies de gramíneas que se escolhe. Este, por vezes, é um assunto polémico entre os Paisagistas de considerar ou não um relvado como um elemento chave na criação de uma paisagem, sendo uma parte devido ás atuais atitudes de mercado, bem como um acréscimo de pressão por parte das empresas produtoras de sementes de relva.

Mas cabe aos Paisagistas, acima de tudo, tomar consciência de que, no mercado dos espaços verdes, o custo do consumo da água na economia das famílias fica em 1º lugar, pois representa a maior fatia no orçamento da manutenção do espaço verde e, depois, o impacto ambiental nos ecossistemas e as suas consequências na sociedade no seu todo.

Convém lembrar que em Portugal a legislação já prevê medidas do consumo da água para os espaços verdes, se bem que numa forma pouco eficiente na prática; medidas como adaptação da gestão da rega do solo e das espécies da flora , substituição e adaptação de tecnologias nos espaços verdes, tal como o Paisagismo Ecológico tem também inscritos nos seus princípios o uso da água da chuva e das águas residuais, o que vai de acordo com legislação em vigor. Mas aqui acontece que, em termos legislativos, deve haver um enquadramento para o setor do paisagismo mais regulamentado, como acontece para a Agricultura Biológica que tem um quadro legislativo perfeitamente regulamentado, e com um sistema de certificação próprio em que o consumidor sabe que, ao escolher um alimento biológico, está garantida a sua autenticidade.

Tal deveria de existir para o Paisagismo Ecológico um enquadramento legislativo próprio que regulamente as medidas inscritas nos Princípios para o Paisagismo Ecológico e assim como estabelecer regras para a certificação que dê garantias ao consumidor que, ao escolher serviços paisagísticos, tem intrinsecamente um selo ecológico.


Vista Palácio da Pena

A história do paisagismo em Portugal tem vários exemplos de ligação paisagista com o ecossistema local e de como se usa a água para criar uma paisagem para que se torne parte integrante na Natureza. Esse é o Palácio da Pena (Sintra) com sua envolvência paisagista, este Palácio tem uma história que por si reflete a própria essência de Portugal que transvaza para o Parque do Palácio em termos paisagísticos que descreve-se quase na mística e numa espiritualidade na própria Natureza (para quem acredita, claro) mas, por si só, a beleza do Parque e do Palácio deixa quase a sensação de que foi plantado o Jardim do Éden ou que poderíamos comparar simbolicamente com os jardins da Babilónia.

O Palácio e o Parque foram idealizados pelo Rei consorte D. Fernando II, um investimento feito totalmente com fundos pessoais do próprio Rei, sem qualquer custo no tesouro da Coroa, esta construção inícia-se em 1839 e estende-se até depois de abdicar do Trono e acaba em 1882.


Vista de um dos lagos do Parque da Pena

Parque Florestal Aclimação da Pena é mais que um jardim em que está representada a flora do Mundo, cuidadosamente selecionada para cada lugar dos 200 hectares que constituem o Parque. Transmite o símbolo maior nas majestosas sequóias da América do Norte, aos magníficos fetos da Oceânia, toda a flora é alimentada por 11 lagos, diversos tanques e fontes naturais, interligados por canais planeados pelo próprio D. Fernando II. O elemento água foi previamente estudado, pois sem ele não se poderia interligar toda a flora das várias partes do Mundo com a natureza já existente.
Assim o Rei deixou no seu exemplo para as gerações futuras a essência do caminho a seguir num projeto com o respeito pela Natureza.

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